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País prepara nova política de produção e comercialização de diamantes

O Ministério dos Recursos Minerais e Petróleos e as empresas públicas Endiama e Sodiam estão a trabalhar para o estabelecimento de uma nova política de produção e comercialização de diamantes, anunciou nesta terça-feira 5, em Antuérpia, Bél... Ver mais

O Presidente da República reconheceu que o país não tem tirado o proveito que devia tirar da produção de diamantes, porque as políticas definidas para o sector não são as que melhor servem os interesses do país, dos produtores e dos próprios consumidores.

“As entidades que têm a ver com a indústria de produção e comercialização de diamantes no país já estão orientadas no sentido de reverter este quadro”, anunciou João Lourenço, garantindo que a actual situação mudará muito em breve e os novos moldes de trabalho na indústria e comercialização de diamantes serão do conhecimento de todos.

O Presidente João Lourenço acredita que, com essas mudanças, as grandes empresas de extracção de diamantes voltarão a Angola e vão trabalhar para o aumento da produção e nos novos moldes de comercialização. “Vamos tomar medidas no sentido de incentivar as grandes empresas que produzem diamantes a produzir, porque elas vão ter maiores benefícios na comercialização do mesmo produto”, garantiu.

Indústria de transformação

Falando perante as empresas representadas no Centro Mundial de Diamantes, na cidade belga de Antuérpia, que manifestaram o desejo de que os diamantes angolanos sejam comercializados na cidade, João Lourenço disse que além de pretender aumentar a produção e continuar a vender, em parte, o diamante bruto, Angola quer transformar o diamante no país e com isso aumentar o emprego. 

O Chefe de Estado pediu o apoio do Centro Mundial de Diamantes de Antuérpia para a montagem, em Angola, de uma indústria de transformação do diamante bruto.

“Contamos com a vossa experiência, contamos enviar quadros para se formarem neste domínio do corte e lapidação de diamantes”, disse João Lourenço, prometendo que Angola vai, doravante, estar presente em Antuérpia, tendo orientado os responsáveis do sector a trabalhar para o efeito.

Antuérpia é responsável pela comercialização de 84 por cento de todos os diamantes brutos do mundo e 50 por cento de todos os diamantes lapidados. O Presidente João Lourenço visitou o Centro Mundial de Diamantes de Antuérpia, que considerou “o coração da indústria diamantífera do mundo”, para ser conhecido e aprender com a experiência dessa instituição no domínio do tratamento de diamantes.

Nas suas intervenções, tanto o presidente do Centro Mundial de Diamantes de Antuérpia, Ari Epstein, como o seu director executivo, Nishit Parikh, mostraram as vantagens que Angola teria em comercializar os seus diamantes neste centro. Segundo esses responsáveis, a venda dos diamantes angolanos em Antuérpia vai permitir uma transparência total das receitas que o país tira da produção diamantífera, bem como obter um “preço correcto e mais elevado”. Sublinharam que Angola exporta apenas 1 por cento dos seus diamantes brutos directamente para Antuérpia, ainda assim, metade dos demais diamantes exportados acabam por chegar àquela cidade para serem comercializados outra vez.

A comercialização de diamantes no país está actualmente a cargo da Sodiam, subsidiária da Endiama. Em 2005 foi criada a empresa Angola Polishing Diamonds S.A. (APD), responsável pela abertura da primeira Fábrica de Lapidação de Diamantes de Angola, com a participação da Sodiam, tendo como objectivo controlar a globalidade da cadeia de valor deste negócio. Angola produz mais de 9 milhões de quilates por ano, que rendem ao país cerca de 1,1 mil milhões de dólares.

Porto de Antuérpia

Depois do centro de comercialização de diamantes, João Lourenço visitou o Porto de Antuérpia, uma estrutura centenária, que ocupa cerca de 12 mil hectares e emprega mais de 60 mil trabalhadores. O porto, um dos maiores do mundo, movimenta centenas de milhares de contentores por mês, tendo atingido o seu maior pico em Maio deste ano, com a carga e descarga de um milhão de contentores.

Segundo o seu presidente e vice-governador da cidade de Antuérpia, Marc Van Peel, o porto, que está a 80 quilómetros da sua congénere de Roterdão, na Holanda, representa 3,7 por cento de empregos do país e tem uma contribuição de 4,7 por cento no PIB. O Presidente da República visitou as instalações e recebeu explicações sobre a sua capacidade e funcionamento e observou, a partir de um navio de recreio, a dimensão das instalações, que também albergam várias indústrias do sector da petroquímica. No final da visita, João Lourenço mostrou disponibilidade para Angola trabalhar em parceria com o Porto de Antuérpia, uma vez que o país tem em desenvolvimento alguns projectos de portos em águas profundas e quer contar com a experiência dessa instituição. Ao fazer o balanço da visita do Presidente da República, o ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, anunciou a visita a Angola, em Agosto deste ano, de uma alta delegação do Porto de Antuérpia.

João Lourenço visitou também o Instituto de Medicina Tropical, em Antuérpia, que se dedica à pesquisa de medicamentos, sobretudo, para o tratamento de algumas das principais doenças que afectam a África, como a malária.

Manuel Augusto anunciou a vinda de responsáveis do Ministério da Saúde da Bélgica para ver até que ponto o país pode beneficiar de mecanismos de tratamento e como a instituição pode ajudar a criar centros de pesquisa em Angola.

O Presidente da República, que terminou na terça-feira 5, uma visita oficial de dois dias à Bélgica, teve encontros com o Rei Filipe, com o primeiro-ministro, Charles Michel, com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, com a vice-presidente para a Política Externa e Segurança da Comissão Europeia, Federica Mogherini, e reuniu-se com representantes da comunidade angolana residente na Bélgica.

Jornal de Angola